Sobre o Clube de Bilderberg e seu Papel no Mundo Atual

Muitas vezes, quando se fala do Clube Bilderberg, muitas pessoas pensam imediatamente que se trata de mais uma teoria da conspiração. Eu mesmo, muitos anos atrás, não imaginava o poder que esse agrupamento tem desde a sua criação em 1954. Pretendo neste texto tentar contar um pouco sobre a história do Clube, seus objetivos e mencionar algumas personagens que são seus “membros”, por assim dizer[LM1].



 

Por Lejeune Mirhan*, para o Duplo Expresso


Muitas vezes, quando se fala do Clube Bilderberg, muitas pessoas pensam imediatamente que se trata de mais uma teoria da conspiração. Eu mesmo, muitos anos atrás, não imaginava o poder que esse agrupamento tem desde a sua criação em 1954. Pretendo neste texto tentar contar um pouco sobre a história do Clube, seus objetivos e mencionar algumas personagens que são seus “membros”, por assim dizer[LM1].


Um pouco de história

Nos idos de 1954, auge da guerra fria, sentia-se em quase toda a Europa um sentimento antiamericano. Era preciso tomar algumas medidas que diminuíssem esse sentimento e que, mais do que isso, aproximasse os dois continentes. Foi assim que um sacerdote e maçom (grau 33) polonês, exilado de seu país desde que a Polônia passou a integrar o campo socialista e soviético após o final da II Guerra Mundial, chamado Józef Retinger – um anticomunista ferrenho –, teve a ideia de convocar uma reunião para discutir temas importantes.

Ele precisaria ampliar o leque de apoio para a realização de uma grande Conferência, que viria a ser a fundação propriamente dita do Clube. Para isso, buscou ajuda do príncipe herdeiro do trono da Holanda, chamado Bernardo de Lipa. O leque se ampliou ainda mais. O presidente mundial da Unilever à época, Paul Rijkens, foi procurado. Aqui é preciso registrar que hoje essa empresa é a terceira maior do mundo no seu ramo de negócios – fabricação de produtos de limpeza, higiene, bebidas e alimentos (ela perde apenas para a Procter & Gamble e a Nestlé). Entrou na articulação da convocação da primeira reunião, o ex-primeiro Ministro da Bélgica, Paul Van Zeeland.

Mas isso apenas não seria suficiente para que a reunião fosse ampla e com personagens mais poderosos, seja do mundo político (poder), seja do mundo dos negócios (economia), e mesmo do mundo militar (questões estratégicas). O príncipe holandês era amigo do então diretor da CIA nos EUA, que era Walter Bedell Smith. Este por sua vez, acionou ninguém menos do que o próprio presidente dos EUA, à época Dwight D. Eisenhower, que resolveu dar total apoio à realização do evento.

Aqui vemos o DNA de origem desse Clube. Uma união entre um anticomunista ferrenho, uma Casa Monárquica europeia (reacionária como todas), uma das maiores empresas transnacionais da época, a CIA e o próprio presidente dos EUA. Evidentemente que dessa articulação não se poderia esperar nada de bom – pelo menos para os povos e as parcelas mais pobres da sociedade.

Dessa maneira, entre os dias 29 e 31 de maio e 1954, na vila holandesa de Oosterbeek (em Renkum), foi instalada a 1ª Reunião Anual do Clube de Bilderberg, chamada muitas vezes de “Conferência Anual”. Vieram 50 “delegados” de países europeus, e 11 pessoas de empresas dos EUA. A reunião ocorreu no hotel que leva o seu nome.

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Hotel De Bilderberg por CC Michiel1972 (2018)

Os objetivos do Clube

De forma bastante clara, o objetivo principal do Clube e de seu convescote de ricos e poderosos foi o de “promover o atlantismo”. Ou seja a valorização e fortalecimento dos países banhados pelo oceano Atlântico. Aqui relembro que a poderosa aliança militar que envolve quase toda a Europa, chamada OTAN – criada cinco anos antes, em 1949 –, teve um representante seu na Conferência. De lá para cá, nesses 65 anos, jamais deixaram de participar, especialmente o seu secretário-geral e comandante supremo das forças militares na Europa. De forma secundária, os organizadores da primeira reunião, tinham por objetivo aproximar as culturas europeias e estadunidenses, em especial em temas políticos, econômicos e militares.

Em função do sucesso da primeira reunião, os “membros” do clube recém criado, decidiram que realizariam encontros dessa natureza todos os anos em países alternados. Criaram, a partir de um certo momento, uma espécie de conselho diretivo formado por 36 pessoas. Eram dois representantes de cada um dos 18 países que integram esse seleto Clube (e nestes casos não necessariamente indicados pelos governos desses países). Ele funciona como um “comitê diretivo” e, desde a fundação, nomearam o polonês Retinger como seu secretário-geral. Apenas o presidente e seu secretário podem emitir documentos, notas à imprensa e enviar circulares aos “membros” do clube. As primeiras conferências foram realizadas na França, Alemanha e Dinamarca. Somente em 1957, na quarta reunião, o encontro aconteceu nos EUA. Naquela vez, contou com o apoio da Fundação Ford, que investiu 30 mil dólares no evento[LM2].

Podemos resumir em três os grandes objetivos deste seleto Clube:

1. Reforçar o atlanticismo com a aproximação da Europa dos EUA com o objetivo de evitar uma “terceira guerra mundial”;

2. Estabelecer um consenso mundial de que o sistema capitalista de livre mercado (e hoje financeiro) é o melhor modelo socioeconômico para a humanidade; e

3. Estabelecer algo como uma “governança mundial” ou “governo mundial”, ainda que isso jamais tenha sido explicitado formalmente em nenhum dos seus documentos oficiais, e sempre que são inquiridos sobre isso, negam enfaticamente.

Mas, apesar das negativas, o que vemos com os membros desse seleto Clube é que eles podem sim ser chamados de “senhores do mundo”, tamanho é seu poder político, econômico e militar. Ninguém consegue se autoconvidar para uma reunião anual de Bilderberg. Ninguém “compra” um convite (muitas grandes corporações tentarem fazê-lo, sem sucesso).

A propaganda dos dirigentes do Clube menciona sempre que as conferências anuais são oportunidades para os convidados e participantes – membros da elite mundial – debaterem, de forma franca com seus pares, as suas propostas. Sejam elas quais forem, ainda que polêmicas. E, como as reuniões tradicionalmente não eram abertas para a imprensa, eles não precisariam se preocupar com a divulgação. Só de uns anos para cá é que alguns seletos jornalistas foram chamados para participar de suas sessões, mas não de todas.

Uma vez que uma pessoa tenha participado de uma das conferências anuais, ela torna-se “membro” do Clube e, desse dia em diante, receberá os relatórios anuais de seus eventos, mesmo que não mais participe. O Conselho Diretivo reúne-se até duas vezes ao ano convocados pelo presidente e secretário-geral.

Normalmente, pelo menos um terço dos convidados e participantes nos eventos anuais são políticos relacionados com o poder global (Ocidental). Os outros dois terços dividem-se entre empresários, super-ricos e militares de alta patentes da OTAN ou das forças armadas dos EUA e países imperialistas. Banqueiros são os mais assíduos, bem como diretores de grandes corporações mundiais e barões da mídia. Até a família real inglesa é membro do Clube. A transparência de suas atividades é praticamente nula. Agem como se fossem participantes de uma seita secreta. Daí advém as imensas teorias da conspiração que existem em torno da imagem desse seleto Clube. Alguns chegam a relacionar o Clube com o grupo de existência duvidosa, chamados de Iluminatti.

Para termos uma ideia, vou citar aqui cinco grandes corporações de vários países que integram o Conselho Diretivo. Duas são dos EUA – a Xerox e a IBM. A Alemanha participa com a Daimler, uma das maiores fabricantes de veículos do mundo. A Inglaterra tem a Shell, uma das chamadas sete irmãs da indústria do petróleo. E a Finlândia está representada pela Nokia, uma das maiores empresas de comunicações no mundo. Vendo assim de fora, quem não ficaria tentado a dizer que eventos ali realizados podem estar relacionados aos destinos do mundo?


O livro que melhor descreve Bilderberg

Daniel Estulin é considerado hoje o maior estudioso de Bilderberg. Nascido na antiga União Soviética em 1966, na cidade de Vilnius, antiga República Socialista Soviética da Lituânia, cuja família foi expulsa da URSS em 1980. Seu pai, que foi membro da KGB, era considerado dissidente político. A família mudou-se para o Canadá e depois para a Espanha. Seu livro mais famoso sobre o Clube teve a tradução no Brasil com o título: A verdade sobre o Clube Bilderberg[LM3].

O livro tem estilo claramente de teoria da conspiração, na medida que apresenta dados nem sempre ao alcance de checagens que se possam fazer. Mas, ainda que se possa falar o que quiser da obra, ela é rica em informações e dados sobre todas as conferências realizadas, isso é fato. O autor nomina praticamente todos os grandes empresários, banqueiros, magnatas do petróleo, militares, chefes de estado e de governo, super-ricos que participaram pelo menos uma vez das conferências anuais do Clube[DE1].

O autor menciona ainda a relação do Clube com a chamada Comissão Trilateral (organismo privado fundado por David Rockfeller em 1973, que também se reúne anualmente), com o Conselho de Relações Exteriores dos EUA (na sigla em inglês é Council of Foreign Relations ou CFR, que é uma instituição também privada que estuda política internacional, editando a conceituada revista Foreing Affairs), com a Comissão Europeia (uma espécie de governo da Europa), FMI, OMC, ONU, Banco Mundial e Clube de Roma entre outros. Em uma das passagens do livro, ele menciona uma “meta” de que até o ano de 2050, a Terra teria que ser “despovoada” em pelo menos quatro bilhões de pessoas (seja com guerras, seja com epidemias, ou de outras formas).

Correntes mais à esquerda do pensamento político – nas quais eu me incluo – têm a convicção que esse Clube almeja sim garantir a continuidade e sobrevivência do sistema capitalista, e envidará todos os esforços para que esse objetivo seja atingido. Setores mais à direita no cenário político acusam o Clube de tentar impor uma governança mundial, que ficaria acima das nações e que imporia uma economia planificada, o que eles abominam.

Estulin afirma ainda que todos os 11 presidentes dos EUA, desde a fundação do Clube em 1954 (Eisenhower, Kennedy, Lyndon Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush, Clinton, Bush Jr. Obama e Trump), são membros do Clube e/ou comparecem pessoalmente às reuniões, ou enviam representantes graduados, como os secretários de Estado e da Defesa dos EUA.

São os principais órgãos de espionagem e de inteligência do mundo que fazem toda a segurança das instalações nos hotéis onde as conferências se realizam, que são a CIA, o MI6 inglês e o Mossad israelense. Sabe-se que, por mais importante, rico ou poderoso, que um convidado possa ser, ele jamais adentra ao recinto das reuniões acompanhado por qualquer assistente pessoal ou secretária. Mesmo as esposas/maridos, tem circulação restrita no evento.

Listo a seguir um rol de personalidades que extraí da obra de Estulin que participaram em algum momento de uma de suas conferências: Bill Gates, Tony Blair, Lionel Jospin, Romano Prodi, Alan Greespan (e todos os presidentes do Federal Reserve System – o Banco Central dos EUA), Kissinger, a família Rothschild, a família Rockfeller, George Soros, Ruperth Murdoch (barão da mídia) entre outros.

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“A Verdadeira História do Clube Bilderberg”, de Daniel Estulin, Ed. Planeta (2005)

Conclusão

Encerro este texto com uma citação literal de uma resolução da reunião anual de 1991. Leitores e leitoras farão o seu próprio julgamento se essa turma almeja ou não um governo mundial: “A soberania supranacional de uma elite intelectual e banqueira é absolutamente preferível à autodeterminação nacional praticada durante séculos passados”.

Para bom entendedor, dizem que meia palavra basta.

* Lejeune Mirhan é sociólogo, escritor e analista internacional. Foi professor de Sociologia da Unimep (por 20 anos). Presidiu a Federação Nacional dos Sociólogos do Brasil (1996-2002).  É colaborador dos portais Fundação Grabois, Vermelho, do Duplo Expresso, B247, entre outros, e da revista Sociologia, da Editora Escala.

* * *


LM1 – Entre outras fontes que consultei, recomendo a seguinte página na Internet do Wikipedia: Clube de Bilderberg, acessada em 1º de fevereiro de 2019, às 16h15.

LM2 – O primeiro presidente, que permaneceu até 1975, foi o príncipe Bernardo de Lipa. Depois dele, presidiram o clube Alec Douglas Home, Walter Scheel, Eric Roll, Peter Carington, Etienne Davignon. Atualmente, preside o Clube o francês Henri de Castries, ex-presidente e CEO da AXA, uma empresa financeira fundada em 1816 e que, em 2017, faturou nada mais nada menos que 132,5 bilhões de euros.

LM3 – O título original é The True Story of the Bilderberg Club, editora Trine Day, WalterVille, EUA, 2009, 432 páginas. A edição brasileira tem o preço salgado de 170 reais, mas existem versões em PDF com 190 páginas que com descargas permitidas.

DE1 – Listagem encaminhada por Pedro Augusto Pinho:

CHAIRMAN – Castries, Henri de (FRA), Chairman and CEO, AXA Group

Aboutaleb, Ahmed (NLD), Mayor, City of Rotterdam

Achleitner, Paul M. (DEU), Chairman of the Supervisory Board, Deutsche Bank AG

Agius, Marcus (GBR), Chairman, PA Consulting Group

Ahrenkiel, Thomas (DNK), Permanent Secretary, Ministry of Defence

Albuquerque, Maria Luís (PRT), Former Minister of Finance; MP, Social Democratic Party

Alierta, César (ESP), Executive Chairman and CEO, Telefónica

Altman, Roger C. (USA), Executive Chairman, Evercore

Altman, Sam (USA), President, Y Combinator

Andersson, Magdalena (SWE), Minister of Finance

Applebaum, Anne (USA), Columnist Washington Post; Director of the Transitions Forum, Legatum Institute

Apunen, Matti (FIN), Director, Finnish Business and Policy Forum EVA

Aydin-Düzgit, Senem (TUR), Associate Professor and Jean Monnet Chair, Istanbul Bilgi University

Barbizet, Patricia (FRA), CEO, Artemis

Barroso, José M. Durão (PRT), Former President of the European Commission

Baverez, Nicolas (FRA), Partner, Gibson, Dunn & Crutcher

Bengio, Yoshua (CAN), Professor in Computer Science and Operations Research, University of Montreal

Benko, René (AUT), Founder and Chairman of the Advisory Board, SIGNA Holding GmbH

Bernabè, Franco (ITA), Chairman, CartaSi S.p.A.

Beurden, Ben van (NLD), CEO, Royal Dutch Shell plc

Blanchard, Olivier (FRA), Fred Bergsten Senior Fellow, Peterson Institute

Botín, Ana P. (ESP), Executive Chairman, Banco Santander

Brandtzæg, Svein Richard (NOR), President and CEO, Norsk Hydro ASA

Breedlove, Philip M. (INT), Former Supreme Allied Commander Europe

Brende, Børge (NOR), Minister of Foreign Affairs

Burns, William J. (USA), President, Carnegie Endowment for International Peace

Cebrián, Juan Luis (ESP), Executive Chairman, PRISA and El País

Charpentier, Emmanuelle (FRA), Director, Max Planck Institute for Infection Biology

Coeuré, Benoît (INT), Member of the Executive Board, European Central Bank

Costamagna, Claudio (ITA), Chairman, Cassa Depositi e Prestiti S.p.A.

Cote, David M. (USA), Chairman and CEO, Honeywell

Cryan, John (DEU), CEO, Deutsche Bank AG

Dassù, Marta (ITA), Senior Director, European Affairs, Aspen Institute

Dijksma, Sharon A.M. (NLD), Minister for the Environment

Döpfner, Mathias (DEU), CEO, Axel Springer SE

Dyvig, Christian (DNK), Chairman, Kompan

Ebeling, Thomas (DEU), CEO, ProSiebenSat.1

Elkann, John (ITA), Chairman and CEO, EXOR; Chairman, Fiat Chrysler Automobiles

Enders, Thomas (DEU), CEO, Airbus Group

Engel, Richard (USA), Chief Foreign Correspondent, NBC News

Fabius, Laurent (FRA), President, Constitutional Council

Federspiel, Ulrik (DNK), Group Executive, Haldor Topsøe A/S

Ferguson, Jr., Roger W. (USA), President and CEO, TIAA

Ferguson, Niall (USA), Professor of History, Harvard University

Flint, Douglas J. (GBR), Group Chairman, HSBC Holdings plc

Garicano, Luis (ESP), Professor of Economics, LSE; Senior Advisor to Ciudadanos

Georgieva, Kristalina (INT), Vice President, European Commission

Gernelle, Etienne (FRA), Editorial Director, Le Point

Gomes da Silva, Carlos (PRT), Vice Chairman and CEO, Galp Energia

Goodman, Helen (GBR), MP, Labour Party

Goulard, Sylvie (INT), Member of the European Parliament

Graham, Lindsey (USA), Senator

Grillo, Ulrich (DEU), Chairman, Grillo-Werke AG; President, Bundesverband der Deutschen Industrie

Gruber, Lilli (ITA), Editor-in-Chief and Anchor “Otto e mezzo”, La7 TV

Hadfield, Chris (CAN), Colonel, Astronaut

Halberstadt, Victor (NLD), Professor of Economics, Leiden University

Harding, Dido (GBR), CEO, TalkTalk Telecom Group plc

Hassabis, Demis (GBR), Co-Founder and CEO, DeepMind

Hobson, Mellody (USA), President, Ariel Investment, LLC

Hoffman, Reid (USA), Co-Founder and Executive Chairman, LinkedIn

Höttges, Timotheus (DEU), CEO, Deutsche Telekom AG

Jacobs, Kenneth M. (USA), Chairman and CEO, Lazard

Jäkel, Julia (DEU), CEO, Gruner + Jahr

Johnson, James A. (USA), Chairman, Johnson Capital Partners

Jonsson, Conni (SWE), Founder and Chairman, EQT

Jordan, Jr., Vernon E. (USA), Senior Managing Director, Lazard Frères & Co. LLC

Kaeser, Joe (DEU), President and CEO, Siemens AG

Karp, Alex (USA), CEO, Palantir Technologies

Kengeter, Carsten (DEU), CEO, Deutsche Börse AG

Kerr, John (GBR), Deputy Chairman, Scottish Power

Kherbache, Yasmine (BEL), MP, Flemish Parliament

Kissinger, Henry A. (USA), Chairman, Kissinger Associates, Inc.

Kleinfeld, Klaus (USA), Chairman and CEO, Alcoa

Kravis, Henry R. (USA), Co-Chairman and Co-CEO, Kohlberg Kravis Roberts & Co.

Kravis, Marie-Josée (USA), Senior Fellow, Hudson Institute

Kudelski, André (CHE), Chairman and CEO, Kudelski Group

Lagarde, Christine (INT), Managing Director, International Monetary Fund

Levin, Richard (USA), CEO, Coursera

Leyen, Ursula von der (DEU), Minister of Defence

Leysen, Thomas (BEL), Chairman, KBC Group

Logothetis, George (GRC), Chairman and CEO, Libra Group

Maizière, Thomas de (DEU), Minister of the Interior, Federal Ministry of the Interior

Makan, Divesh (USA), CEO, ICONIQ Capital

Malcomson, Scott (USA), Author; President, Monere Ltd.

Markwalder, Christa (CHE), President of the National Council and the Federal Assembly

McArdle, Megan (USA), Columnist, Bloomberg View

Michel, Charles (BEL), Prime Minister

Micklethwait, John (USA), Editor-in-Chief, Bloomberg LP

Minton Beddoes, Zanny (GBR), Editor-in-Chief, The Economist

Mitsotakis, Kyriakos (GRC), President, New Democracy Party

Mundie, Craig J. (USA), Principal, Mundie & Associates

Murray, Charles A. (USA), W.H. Brady Scholar, American Enterprise Institute

Netherlands, H.M. the King of the (NLD)

Noonan, Michael (IRL), Minister for Finance

Noonan, Peggy (USA), Author, Columnist, The Wall Street Journal

O’Leary, Michael (IRL), CEO, Ryanair Plc

Ollongren, Kajsa (NLD), Deputy Mayor of Amsterdam

Özel, Soli (TUR), Professor, Kadir Has University

Papalexopoulos, Dimitri (GRC), CEO, Titan Cement Co.

Petraeus, David H. (USA), Chairman, KKR Global Institute

Philippe, Edouard (FRA), Mayor of Le Havre

Pind, Søren (DNK), Minister of Justice

Ratti, Carlo (ITA), Director, MIT Senseable City Lab

Reisman, Heather M. (CAN), Chair and CEO, Indigo Books & Music Inc.

Rutte, Mark (NLD), Prime Minister

Sawers, John (GBR), Chairman and Partner, Macro Advisory Partners

Schäuble, Wolfgang (DEU), Minister of Finance

Schieder, Andreas (AUT), Chairman, Social Democratic Group

Schmidt, Eric E. (USA), Executive Chairman, Alphabet Inc.

Scholten, Rudolf (AUT), CEO, Oesterreichische Kontrollbank AG

Schwab, Klaus (INT), Executive Chairman, World Economic Forum

Sikorski, Radoslaw (POL), Senior Fellow, Harvard University; Former Minister of Foreign Affairs

Simsek, Mehmet (TUR), Deputy Prime Minister

Sinn, Hans-Werner (DEU), Professor for Eco. and Public Finance, Ludwig Maximilian University of Munich

Skogen Lund, Kristin (NOR), Director General, The Confederation of Norwegian Enterprise

Standing, Guy (GBR), Co-President, BIEN; Research Professor, University of London

Svanberg, Carl-Henric (SWE), Chairman, BP plc and AB Volvo

Thiel, Peter A. (USA), President, Thiel Capital

Tillich, Stanislaw (DEU), Minister-President of Saxony

Vetterli, Martin (CHE), President, NSF

Wahlroos, Björn (FIN), Chairman, Sampo Group, Nordea Bank, UPM-Kymmene Corporation

Wallenberg, Jacob (SWE), Chairman, Investor AB

Weder di Mauro, Beatrice (CHE), Professor of Economics, University of Mainz

Wolf, Martin H. (GBR), Chief Economics Commentator, Financial Times


Fonte: www.duploexpresso.com

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