Ensaio sobre a felicidade

O verbo adequado para a felicidade é sempre estar e nunca ser por que ao dizer: Eu estou feliz! Eu estou a expressar uma delimitação de uma ação, ou seja, não é uma felicidade permanente.

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ENSAIO SOBRE A FELICIDADE

Felicidade é uma ocorrência eventual.

                  Mario Sergio Cortella

Por Rodrigo Santana – Quarata, 1 de julho de 2020


        O verbo adequado para a felicidade é sempre estar e nunca ser por que ao dizer: Eu estou feliz! Eu estou a expressar uma delimitação de uma ação, ou seja, não é uma felicidade permanente. A ideia de felicidade permanente é utópica por que a minha felicidade depende do estado em que as outras pessoas se encontram e elas nem sempre estão felizes. Então para eu ser feliz seria necessário que todas as outras pessoas também fossem. Neste caso a felicidade seria o normal. Isso significa dizer que se alguém alcançar a felicidade permanente, ela enlouqueceu! Por que essa felicidade seria manifestada em momentos em que as demais pessoas estivessem tristes como num velório, por exemplo. É como disse Os Mutantes na letra da música: “O Louco”:

Se eu sou muito louco por eu ser feliz

          O artista Roberto Frejat na letra da música: “Pense e Dance” diz que: “ A felicidade é um estado imaginário” e tens razão quando pensada em estado permanente por que a felicidade neste mundo só é possível de maneira relativa já dizia a revelação espírita. O Capitalismo explora esse imaginário na publicidade quando coloca uma família idealizada nas propagandas de Margarinas e na venda de imóveis onde aparece sempre uma família sorridente no PlayGround. Ser feliz é ser louco por que o louco perde a adequação do humor e pode sorrir das desgraças alheias. É como disse Roberto Frejat na letra da música: “Amor pra recomeçar”:

Rir de tudo é desespero

         Eu sou do signo de Sagitário e sagitariano é uma pessoa muito otimista, porém eu li em um site que um dos defeitos do sagitariano é ter “positividade tóxica”. Quando eu li isso, eu achei um exagero, contudo não o é. Nessa pandemia eu pude perceber que a forma como eu estava me comportando incomodava as pessoas por que estão todos preocupados com as mortes e o meu otimismo soou inadequado. Ao perceber isso, eu alterei o meu comportamento por que se eu continuasse alguém poderia concluir que eu estava louco.

       Observe que a personagem Coringa ri do que não é considerado engraçado pelas outras pessoas e isso justifica o seu internamento num hospital psiquiátrico. É como diz um aforismo:

            Da para saber muito sobre uma pessoa só observando do que ela ri.

Rodrigo Santana costa é professor e escritor. Publicou a obra: “Clarecer” em verso e prosa. 

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