Juliana Veloso pediu demissão para disputar sexto Pan e fazer história

Decisão tomada com o apoio da família faz da saltadora a brasileira com maior número de participações em Jogos Pan-Americanos

Juliana vai disputar a final do trampolim de três metros Wander Roberto/COB - 28.7.2019

Decisão tomada com o apoio da família faz da saltadora a brasileira com maior número de participações em Jogos Pan-Americanos

PAN LIMA 2019

Alexandre Garcia, do R7, em Lima, no Peru

Aos 38 anos, a saltadora Juliana Veloso vai encerrar sua sexta participação em Jogos Pan-Americanos na noite desta segunda-feira (5), ao disputar a final dos saltos ornamentais no trampolim de três metros.

Ao sair da piscina após uma das três provas que disputou em Lima, ela contou que precisou pedir demissão do local onde dava aula de saltos ornamentais para crianças nos Estados Unidos para participar da competição continental e fazer história como a brasileira com mais participações em Jogos Pan-Americanos.

Juliana brincou que agora está procurando uma nova colocação no mercado de trabalho. Ela explicou que em terras norte-americanas não existe férias para quem trabalha com carteira assinada e isso motivou o pedido de dispensa.

“[Nos Estados Unidos], sempre que você for se ausentar por mais de duas semanas, se não for motivo de morte, doença ou internação, você é obrigado a pedir demissão. Como eu ia ficar fora por cinco semanas, pedi demissão e decidi que vou ver o que acontece quando eu voltar”, relatou a saltadora, que vive na cidade de Orlando.

Juliana disse que inicialmente decidiu que não viajaria para disputar os Jogos Pan-Americanos pela sexta vez. “Depois eu percebi que era uma oportunidade única”, afirmou ela, que ainda contou com o apoio das pessoas mais próximas para tomar a decisão de largar o emprego e mergulhar de cabeça na competição.

“A família deu suporte para eu aceitar. Tem tanta gente que treina todos os dias de manhã e de tarde e tem um monte de apoio para conseguir uma vaga no Pan-Americano. Eu consegui e vou jogar isso fora?”, avaliou a saltadora.

De acordo com Juliana, a oportunidade de os filhos Pedro, de 10 anos, e Tiago, de 6, a verem em ação também pesou na decisão final de encarar mais um Pan. “Eu acho que é legal para os meus filhos verem e lembrarem, porque nas Olimpíadas do Rio o pequeninho tinha três anos”, disse.

Já veterana nos saltos ornamentais, destacou que está focada em se divertir e ainda revelou que tem ajudado outros atletas a fazerem o mesmo. “É muito legal porque a norte-americana que ficou com a medalha de prata [no trampolim de um metro], a [Brooke] Schultz, veio me agradecer porque eu lembrei ela de se divertir”, revelou.

Classificada na quinta colocação para a final do trampolim de três metros, Juliana volta ao Centro Aquático de Videna, às 21h, em busca de sua quarta medalha em Jogos Pan-Americanos. Na coleção, ela já tem uma medalha de prata (Santo Domingo 2003) e duas de bronze (Santo Domingo 2003 e Rio 2007).

Santiago 2023

“Nunca diga nunca”, disse Juliana ao ser questionada sobre a possibilidade de disputar os Jogos Pan-Americanos pela sétima vez em Santiago 2023, quando terá 42 anos.

“Eu acho que estes são meus últimos Jogos, mas posso fazer tiro, boliche ou qualquer outro esporte em que pode ser velho”, brincou Juliana, que repensou a fala na sequência: “Salto é o que eu gosto de fazer.“

Agora, a saltadora veterana disse estar focada na disputa dos Jogos Mundiais Militares, que acontecem em outubro, na cidade de Wuhan, na China. “É para isso que eu estou treinando. Vou tentar ir para lá na melhor forma possível, para representar a Marinha. Desde 2016 eu quero representar eles 100%”, afirmou.

 

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