Presidente é acusado pela oposição de violar o protocolo da quarentena para se despedir do sacerdote Bernardino Piñera, de 104 anos. Ministério Público vai investigar caso
El segmento del funeral de ex arzobispo Bernardino Piñera, en que se trasgrede protocolo por fallecidos COVID, y las palabras del Presidente Piñera, momentos después, reconociendo que esa fue causa de su muerte. pic.twitter.com/vL5k8qB7yf
— Alejandra Matus (@alejandramatus) June 22, 2020
“Não é casualidade que tenha morrido no Dia dos Pais [no Chile e outros países] e vítima de uma doença que tem causado tanta dor e sofrimento a tantas famílias chilenas”, afirmou o presidente no discurso de despedida ao tio.
Paula Daza, subsecretária de Saúde pública do Governo, precisou abordar o episódio duas vezes. Em sua entrevista coletiva diária para informar sobre o avanço da epidemia —que já deixou 246.963 contagiados—, foi perguntada sobre o assunto e afirmou: “Devido às perguntas que ocorreram com relação ao funeral de dom Bernardino Piñera, quero dizer que a família está passando por momentos difíceis, por isso não nos parece adequado este tipo de comentários. Cumpriu-se 100% o protocolo para poder assistir a um funeral”, afirmou Daza. O Ministério da Saúde falou por sua vez em “instrumentalização” do episódio, em referência à denúncia do deputado Ascencio.
O sacerdote Piñera foi diagnosticado com a covid-19 em 26 de maio e em 13 de junho saiu da clínica e voltou a um asilo onde, por segurança, permaneceu isolado e sob observação médica, de acordo com o Executivo chileno. Durante o tratamento não precisou de ventilador mecânico. Por causa da idade avançada, entretanto, não se recuperou e morreu na manhã de domingo, quase um mês depois do diagnóstico.
Segundo a versão oficial, o velório respeitou as normas sanitárias de distanciamento social e participação inferior a 20 pessoas, como determina o protocolo de funerais da subsecretaria de Saúde para a pandemia, embora no vídeo apareçam pelo menos mais 11 pessoas, entre sacerdotes, músicos e fotógrafos. O Palácio de la Moneda, sede da presidência, informou que o caixão estava lacrado e que, mesmo que a tampa tenha sido aberta, não houve violação das normas, pois o vidro protegeria seu hermetismo.
A morte do sacerdote Bernardino Piñera provocou reações de dirigentes de diferentes tendências políticas. O ex-presidente socialista Ricardo Lagos (2000-2006) disse que “com a partida de monsenhor Bernardino Piñera se vai um grande que honrou a Igreja Católica. Seu extenso caminho apostólico sempre esteve do lado dos mais necessitados e marcou a vida de muitos. Seus ensinamentos ficarão como uma fonte de inspiração para todos os chilenos”.