TRATADO SOBRE OS CONCEITOS DE DEUS

 

            O conceito do filósofo Baruch Espinoza de Deus é criado pelo discurso do Próprio Deus libertando-se da condição antropomórfica em que Ele é representado nas religiões, todavia não podemos perder de vista que é ainda um ser humano mudando o conceito de uma divindade criada por outros seres humanos. O filósofo Ludwing Feuerbach traz o conceito de que “Deus é apenas a expressão do próprio homem”. O pensamento de Feuerbach, na minha opinião, inverte a lógica de aproximação  entre o homem e a divindade, pois aqui Deus foi feito a imagem e semelhança do homem, por isso que Ele é tão imperfeito em suas ações como nós somos. Essa linha de raciocínio se aproxima da interpretação feita por algumas pessoas do afresco: “ A Criação de Adão” de Michelangelo Bounarotti que apresenta uma ambiguidade, pois ao ler o título: “A Criação de Adão” ao mesmo tempo em que se pode pensar em Adão como sendo criado por Deus. O título também sugere Adão como um criador. Há quem interprete ainda que o espaço onde Deus e os anjos aparecem no afresco assemelha-se ao formato de um cérebro humano. 

           O pastor Caio Fábio traz o conceito de que “Deus não existe, Deus é!” Esse pensamento coloca Deus como manifestação em tudo o que existe estabelecendo assim uma relação com o pensamento do filósofo Baruch Espinoza e com a maneira em que Deus é evocado pelo “EU SOU” na música: “Gita” de Paulo Coelho e Raul Seixas que estudavam sabedorias ocultas. É, no entanto que nas sabedorias da Grande Fraternidade Branca existe as 301 afirmações do EU SOU”. Contudo um místico apofático da negação contrapõe o pensamento do pastor Caio Fábio ao dizer: “Deus não existe, e não é.” O que o filósofo Friedrich Nietzsche, a meu ver, fecha o raciocínio ao dizer: “Deus está morto”, pois segundo os mestres das Escolas dos Mistérios do Egito Antigo: “Deus é neutro”. Ou seja, Ele não interfere no nosso livre arbítrio, pois ao interferir deixa de ser livre arbítrio. 

       Alguns exotéricos trazem o conceito de que “Deus é evolução”. E é justamente por isso que toda a criação evolui. O que se coaduna com o “desde o átomo ao arcanjo, segundo o Livro dos Espíritos de Allan Kardec. Este livro de Allan Kardec traz o conceito de deus como “A causa primeira de todas as coisas”. Sendo causa perde a condição de coisa, pois todas as coisas são efeitos. 

         Os postulados da Física Quântica tem se aproximado de um conceito de Deus assim como o dedo de Adão se aproxima do dedo de Deus no afresco: “A Criação de Adão” de Michelangelo Bounarotti, mas o Deus da física Quântica só será perfeito enquanto ele for mudo, pois ao falar Deus perde a condição de neutralidade e passa a existir. E ao existir ele terá que ser conceituado  por um ser humano que é imperfeito. Sendo este ser humano imperfeito ele está fadado a colocar as suas imperfeições nos pensamentos e ações do criador, contudo como tudo no universo funciona com “ordem, equilíbrio e harmonia”, nada mais justo pensar que Deus é a causa desses três comportamentos. Além disso, o filósofo Artur Schopenhauer no livro: “Sobre a Vontade na Natureza” interpreta Deus como sendo uma vontade, porém sendo ele a Causa”, tudo aquilo que adjetivamos é efeito assim como todos nós também somos efeito e nenhum de nós pode conceituar a causa por que ela está além de qualquer conceituação humana, pois todas elas carregarão o estigma da imperfeição.  

Rodrigo Santana Costa é professor e escritor. Publicou a obra: “Clarecer” em verso e prosa.   

Aviso:
Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do IpiraCity. É vetada a postagem de conteúdos que violem a lei e/ou direitos de terceiros.
Comentários postados que não respeitem os critérios podem ser removidos sem prévia notificação.